domingo, 8 de setembro de 2013

pouca coisa

Que fazer à saudade infinita do que não se pode voltar a ter?

muro

Pulou o muro e foi espreitar a casa escondida. O muro estava a pedi-las. Ali em frente, sempre a olhar para ela quando por ali passava. Pulou o muro e viu de imediato a sala de estar. Era envidraçada, de alto a baixo. A decoração era simples. Cores neutras. Um vaso grande de onde saía uma planta que mais parecia uma árvore. A casa estava vazia. Ouvia-se silêncio. Edward Hopper. Bauhaus. Mente contente. Pulou o muro.

melancia

Se não vieres, passo para plano B. Vou ao cinema, como uma melancia inteira, e falo das grandes, tamanho XXL, mando mensagens a todos os amigos e amigas que não vejo há mais de um mês. O que mais graça tiver na resposta, ganha um bolo de laranja e canela a sair do forno. Se vieres, mostro te aquela fotografia.

domingo, 1 de setembro de 2013

se vieres

cá estou eu a deitar baldes de palavras fora
hoje o balde é amarelo torrado
tem asa cinzenta
no interior, água límpida
e parece menos pesado do que é costume
a leveza da certeza

não saber

perseguiu a ideia do progresso
perseguiu a ideia do amor
afinal, não são o que disseram
são outras ruas
estreitas
a meio da montanha

natureza

depois da esquina, começou a correr
ouvia o barulho dos seus pés no chão
sentia o vento na cara
as orelhas a encolher
na cabeça, latejava uma ideia
o tempo é maior invenção
ai se o apanhasse

domingo, 28 de julho de 2013

cesta

trouxe um par de garfos, facas e colheres e disse: são para te comer melhor

verão

só gostava do meu sorriso?
hipnotiza-o?
não se perdia por mais nada?
fixações de uma noite de inverno
recuperadas num dia de verão

depois

quando for grande, nada farei contrariada

não era o verbo

No princípio era o começo
no princípio era uma incerteza
era uma fruta acabada de apanhar
que enchia a mão
no princípio não se ouvia o farfisa
no começo apenas se avistavam carris
no início não era o verbo
eram as primeiras notas de uma melodia
muito antes do refrão