quinta-feira, 11 de julho de 2013

campo

quantos pensamentos levamos de carroça?

quarta-feira, 10 de julho de 2013

de lado

toco-te no braço e ouço-te. música para os meus ouvidos, tendo como baixo o vento suave. acontece no banco de jardim.

em pé

o ritmo da forma de andar. o ritmo da respiração. o ritmo da gravidade.

terça-feira, 9 de julho de 2013

deitada

resulta outra coisa pensar deitada. Por isso, Rembrandt dormia sentado. Não só por isso. Era costume na época. Acreditava-se que a ida do sangue para a cabeça daria morte certa. os pensamentos deitados são menos firmes, voam. Os mesmos de cabeça erguida impõem-se ao lado de muita cautela. efeito dos pés na terra. ou da terra nos pés.

domingo, 7 de julho de 2013

sentada

enquanto olhava para ele, nasciam versos na minha cabeça. ele não os ouvia. eu não os dizia. tinha vergonha de os deitar cá para fora. Parecia a Ofélia a escrever cartas ao Pessoa. eram primários. estava encantada e deixava-me estar, sentada naquele banco de madeira.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

ponteiro

pedir um minuto de atenção. conversa séria ao minuto. nos intervalos. intervalos valiosos. sérios.

estafeta

chorar pelo que devia ter dito e não disse na altura certa. ficou por dizer. a quem o dizer? quantos pensamentos carregamos no camião?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

rio

seguia esverdeado, escorregadio
terá sido sempre assim
aquele rio
simplesmente não estava lá
como naquela noite em que não estive lá
e naquela tarde em que não fui
naquele domingo em que fui preguiçosa
bloqueei estupidamente até segunda-feira
seguia de água límpida
ao gosto das rãs
ao gosto das algas finas
das lagartixas
dos sapos, não sabemos
foram para o baile
não sabem estar sozinhos

bem comportada

derreto-me. sinto um pouco isso nas pontas das mãos e dos pés. se me desfizer um dia destes, transforma-me num chocolate, se faz favor.

madeira

Caiu, bateu com a cabeça na cómoda e morreu. Num segundo, contava. Sem tempo para revisitar o passado, felizmente. Tem Alzheimer e sonha um dia bater com a cabeça num móvel qualquer. Joaquim foi esquisito a vida toda. Gostou de amarelo quando era fatela vestir essa cor. No momento de ir embora, qualquer madeira serviria. Sabes que não vai ser assim, disse. Também não sabes como vai ser, nunca sabes como vai ser a seguir, amanhã, e depois de amanhã, e antes do fim de semana, dizia-me, cheio de vida.