segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

a ver se te avias

Estava na caixa do correio o livro. Vai lê-lo devagar. Assim trata o que gosta. Coisas chatas, é um ver se te avias.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Rewind

Não bebe água das pedras há um ano. Era a primeira bebida dos encontros com o José. De tal forma que o abastecimento na despensa se tornou rotineiro. Começaram na esplanada do cinema São Jorge. Beberam-na juntos pela última vez em Alfama. Apagou da memória o nome da tasca. Após o afastamento, deixou de fazer sentido. Ontem, voltou a pedir água das pedras natural, à semelhança do passado, utilizando a mesma entoação de voz, e contou ao Pedro, por alto, o trauma. Ele ouviu-a através dos olhos e disse-lhe a seguir: não a peças ao pé de mim, ok? Calou-se e encolheu-me. Há coisas que é melhor não sabermos, não é?, disse. Meteu a mão à boca para a tapar. Maldita. Não dá para voltar atrás.

caracol

Nunca tem fé no início de uma relação. Vai ela a meio, quando começa a ter um vislumbre de um namoro. Afinal, resulta, diz ao espelho confidente. A falta de timing tem-lhe estragado o futuro. Chega ao final e ela ainda vai a meio.

sábado, 22 de dezembro de 2012

nevoeiro

o nevoeiro, um consolo
pode ser ou não ser
pode

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

uma razão

Esplanada na Pollux.
- Já percebi porque é que o Philip Roth não ganha o Nobel.
- Então, diz lá.
- Entendi o encanto supremo da poesia do Ruy Belo.
- Conta, conta.
- estou a recolher dados para provar a minha teoria.
- diz lá.
- há sempre uma razão, mesmo que possa ser parva.

ir

vai emigrar da sua vida

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

fumo

Josefina voltou a pensar nele. Nada é mais forte que o pensamento

loop

nos dias compridos, os pensamentos ficam presos
a dois ou três pontos chave
e repetem-se
nos dias comprimidos
deseja-se um fim
rápido sem intervalos
nos dias compridos
queremos exactamente o contrário
do que temos
um chá picante
um gelado derretido

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

princesas e princesas

A minha sobrinha foi ver a Companhia Nacional de Bailado três dias antes de mim. O meu sobrinho, três anos, também através da escola, viu "A Bela Adormecida" esta semana. A minha sobrinha falou da leveza dos bailarinos e da aparição, a certa altura, da bruxa má, vestida de vermelho. Imitou-a a lançar o feitiço. Ele viu princesas e princesas a saltar e a girar, a andar à volta, nas palavras dele. E gostou. Ficou sério ao dizê-lo. Havia sinal de respeito naquela afirmação. Ela interrompeu a conversa para dar nota do que a tinha comovido. A dada altura, uma bailarina desequilibrou-se. Na descrição dela, uma queda aparatosa. Foi rápida a levantar-se e prosseguiu, mas tinha caído. Maria ainda não se recompôs.

palpitações

quando estamos atrapalhados, somos todos meninos