domingo, 17 de fevereiro de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
biscoitos
Naquele cesto juntam-se frases perdidas. São papéis de cores e feitios diversos. alguns deles de letra imperceptível. Demoro tempo a decifrar os gatafunhos das duas da manhã. os outros estão alinhados, impecáveis, limpos. Ganho sempre alguma preciosidade a tentar encontrar o mistério.
deslizar, deslizar
o melhor exercício para conhecer alguém melhor. jogar ao se eu pudesse. Se eu pudesse passava o dia a andar de patins. O dia, é como quem diz, o tempo todo até me fartar e não ter forças para mais. Desistir assim não é desistir. A última vez, houve uma vez em que caí e senti o frio no rabo. não me magooei. Já me tinha magoado nesse dia o suficiente por causa do Pedro. Já tinha sentido frio.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
dói me o pé
depois de um palavra, veio outra, e mais outra. Fez-se uma história. A deles. Começou pelas confidências, deslizes mínimos entre conversas cruzadas de amigos. Em vez de equívocos, nasciam esclarecimentos. Não importavam. Sabiam bem que não importavam. Foram almoçar ao "bate fundo", na Graça.
iogurte
Aos seis, comia iogurte de banana todos os dias. Fez uma pausa na adolescência para experimentar outros sabores e estacionou, mais tarde, de novo, no de banana. O sabor nem sequer se alterou. Exactamente igual. Mudou a embalagem.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
hipoteca
Anos teimosos aqueles: a culpa é minha, a culpa é minha. Moral das histórias mais íntimas, uma após outra. De cela em cela. Erros associados a defeitos. A culpa é minha. Hoje, as crianças herdam dívidas.
básico
diz-me que foste para casa a pensar se terias feito tudo mal naquele fim de tarde. À medida que a horas passam desenvolvemos ideias menos essenciais. De manhã, estamos na infância.
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